sexta-feira, 22 de abril de 2022

Entre o altar e a política

 

Gustavo José Barbosa*


A história da colonização portuguesa no nosso país foi marcada, entre outros aspectos, pelo processo de propagação da fé católica em nossa Nação. Assim, é imprescindível observar os movimentos da Igreja Católica Apostólica Romana e seus membros, para entendermos a história das nossas comunidades.

No caso do município de Nova Cruz (RN) é de grande importância compreender a atuação do padre Tomaz de Aquino Maurício (1845-1911) na memória do lugar, pois o eminente clérigo exerceu sua missão na antiga Anta Esfolada por mais de duas décadas. O padre é filho de Vicente Maurício da Costa e D. Astréa Vitorina de Mendonça, nascido em Bananeiras (PB),  desde muito jovem dedicou-se aos estudos e aos poucos despertou para vocação sacerdotal.

Com idade de 22 anos o jovem Tomaz ingressou no Seminário de São Luiz do Maranhão, foi ordenado sacerdote no dia 4 de março de 1872, trabalhou nos seus primeiros dias de padre em Guarabira (PB) e finalmente no ano de 1873 foi transferido para Nova Cruz onde foi vigário por longos anos. Naquele período histórico foi intenso o fluxo de religiosos católicos entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte, visto que a administração diocesana era a mesma, até a criação da Diocese de Natal no ano de 1909.

Todavia o padre Tomaz de Aquino Maurício não fixou seu trabalho apenas no cuidado das almas, mas participou com altivez da política novacruzense e assim o encontramos na presidência do Conselho da Intendência Municipal no ano de 1895 e novamente no ano de 1905. Embora possa parecer estranho a intervenção de um padre na política, percebe-se na história do Rio Grande do Norte que foi frequente a participação dos religiosos nos espaços do poder tanto no período monárquico, quanto no regime republicano embora em menor proporção.

Termo de óbito do padre Tomaz
Fonte: Arquivo paroquial de Nova Cruz

No período em que o padre Tomaz foi vigário da Freguesia de Nova Cruz o atendimento aos fiéis compreendia uma extensa área territorial que hoje compreende os municípios de Lagoa D´Anta, Monte das Gameleiras (RN), Passa e Fica (RN), São José de Campestre (RN) e Serra de São Bento (RN). O padre manteve uma forte ligação com as atividades campesinas, como relatou o monsenhor Severino Bezerra (1902-1995) em seu livro “Levitas dos Senhor” e com frequência os populares de Nova Cruz o viam nas tardes passando pelas ruas da vila cavalgando no seu cavalo  para visitar seus fiéis.

Uma importante homenagem ao vigário foi realizada pela sua sobrinha, a professora Gabriela Maurício de Pontes, que escreveu o cordel “Padre Tomaz de Aquino Maurício: vigário em Nova Cruz de 1873-1902. Os feitos do padre são importantes para a história novacruzense, pois seu olhar perspicaz com foco nas necessidades espirituais e temporais das suas ovelhas, minimizou os problemas sociais daqueles anos de grandes contradições sociais, até sua morte no ano de 1911.

* Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN) e sócio correspondente do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica (IPGH). E-mail: gustavoufpb@outlook.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.