sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

O ano que não terminou para os técnicos agrícolas


Gustavo José Barbosa*

Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado. ”
Ruy Barbosa

Ao aproximar-nos do alvorecer de um novo ano, entre mensagens calorosas, taças de champanhe e propagandas das chapas que concorrem às diretorias dos Conselhos Regionais dos Técnicos Industriais (CRT´s), nós técnicos agrícolas contemplamos um fim de 2018 com certa nostalgia e desolação, pois este período não se encerra no tocante à construção do nosso Conselho Profissional.

Com o advento da Lei nº 13.639, de 26 de março de 2018, que criou os Conselhos dos Técnicos Agrícolas e dos Técnicos Industriais, pondo fim a uma relação conflituosa dos profissionais de nível médio nos Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (CREA´s), esperava-se que entre abril e dezembro deste ano fosse possível materializar esta vitória.

Pois entre garrafas de vinho entregues ao presidente da República, audiências infrutíferas convocadas pela Confederação Nacional das Profissionais Liberais (CNPL) para organizar o pleito eleitoral, quase uma dezena de ações judiciais, Decreto normatizando a eleição (cuja constitucionalidade ainda é questionada na Câmara dos Deputados1), e tantos outros capítulos desta trilogia, ainda não temos um Conselho.

A CNPL conseguiu em tempo hábil a realização da eleição do Conselho Federal dos Técnicos Industrias (CFT) e apesar de todas as dificuldades, os membros do CFT terminam o ano com avanços na organização da entidade; enquanto isto as dúvidas se espalham entre os técnicos agrícolas, e a ambição pelo poder de grupos com práticas políticas verticalizadas não produzem um ambiente saudável para que a luz incida sobre essa crise.

É necessário que a legalidade seja a tônica que dinamize o processo eleitoral da primeira e histórica diretoria e os membros dos plenários que serão eleitos para os Conselhos dos Técnicos Agrícolas, sabendo que todos os profissionais devem ser convidados a participarem desta ação e não somente como coadjuvantes (sob a tutela de líderes que parecem inerrantes ou daqueles que agora buscam o poder pelo poder), mas como atores deste novo tempo que já deveria ter iniciado para nossa categoria profissional.

Os judeus desde que partiram de sua terra em 70 d.C. para diáspora clamam sempre na comemoração da Páscoa: Leshana Habaa B'Yerushalayim (No ano que vem, em Jerusalém). Nós técnico agrícolas desde 1966 também almejamos: no ano que vem, com nosso Conselho!

Nota

1 Trata-se do Projeto de Decreto Legislativo (PDC) nº 1031/2018 de autoria do deputado federal Subtenente Gonzaga (PDT-MG) que susta o Decreto nº 9.461, de 08 de agosto de 2018, que regulamenta o art. 34 da Lei nº 13.639, de 26 de março de 2018, que dispõe sobre o primeiro processo eleitoral do Conselho Federal dos Técnicos Agrícolas e do Conselho Federal dos Técnicos Industriais e tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

*Técnico Agrícola pela Escola Agrícola de Jundiaí.

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