segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Odilon Amâncio Ramalho: empreendedor e líder

 Gustavo José Barbosa


Odilon Amâncio Ramalho nasceu no dia 29 de dezembro de 1892, em Tacima (PB), filho do coronel Antônio Amâncio da Silva (1856-1928) e D. Águeda Rodrigues Ramalho (1856-1945). Dentre os irmãos de Odilon lembramos os nomes de: Dr. José Amâncio Ramalho (1880-1953), Odilon ... (1882-?), Celso Amâncio Ramalho (1884-1958), Lino ... (1886-?), Dr. Luiz Amâncio Ramalho (1887-1936), D. Olindina Ramalho Pessoa (1889-1973), D. Celina Amâncio Ramalho (1890-1949), D. Edina ... (1891-?), Elvídio Amâncio Ramalho (1896-1932) e Dr. Benjamim Amâncio Ramalho (?-1913).

No ano de 1913 o jovem Odilon Amâncio Ramalho casou-se, em Tacima, com D. Lucilla Pessoa Ramalho (1892-1963), filha do coronel Manoel Targino de Freitas Pessoa e D. Maria Idalina da Cruz Alves, nascida em Santo Antônio (RN). Deste enlace nasceram seis filhos: D. Aniole Pessoa Ramalho (1914-1939), Ernani Pessoa Ramalho (1916-1984), D. Noilde Pessoa Ramalho (1920-2010), D. Cloris Pessoa Ramalho (1919-1990), D. Aline Ramalho Dantas (1922-2015) e D. Haidée Ramalho Pessoa (1924-2021).

Percebe-se por meio de documentos do arquivo cartorial de Nova Cruz (RN), que no ano de 1916 já havia uma presença de Odilon naquele próspero torrão potiguar, onde exerceu inúmeras funções administrativas e também no campo do empreendedorismo. Sobre a personalidade de Odilon, é importante atentar para uma nota escrita pelo seu sobrinho Dr. Diógenes da Cunha Lima: “Odilon era alto e elegante. “Parecia um lorde inglês”, observou Leonardo Arruda. Usava gravata e paletó de linho branco, o que não o impedia de consertar, como mecânico, um motor elétrico, para o desespero de tia Lucila”.[1]

No espectro do empreendedorismo foi grande a contribuição de Odilon para a cidade de Nova Cruz sendo responsável pela pioneira iluminação pública do lugar e até um cinema.[2] Além disso, voltou seu olhar para a inovação da agricultura do município com a concepção de equipamentos para irrigação agrícola, máquina para beneficiamento de sisal (Agave sisalana), de milho (Zea mays) e na organização de uma fábrica de descaroçamento de algodão.[3]

Odilon também desempenhou as funções de juiz e de delegado de polícia (1935) de Nova Cruz, sendo este último cargo exercido num momento muito complicado da política potiguar, pois no ano de 1935 eclodiu a Intentona Comunista. Um grupo de revolucionários estabeleceu-se na cidade para organizar as atividades comunistas, gerando um clima de pânico na população, o que levou Odilon a ensaiar uma resistência armada, todavia tal conflito não eclodiu.

A sua residência também não fugiu ao olhar inovador de Odilon, conforme enfatizou Flamínio de Oliveira, e para construí-la foi preciso adquirir:

... material até então utilizado nas casas senhoriais do Recife e outras capitais. Já naquela época, ele usou vitrais, assoalho, mosaico e telas de ardósia importadas da Inglaterra. Foi na casa de “Seu Odilon” onde se instalou o primeiro serviço de água encanada de Nova Cruz ...[4]


Naquele início do Século XX a política novacruzense envolvia as principais famílias do lugar: Amâncio Ramalho, Aranha, Arruda Câmara, Belmont, Bezerra, Carvalho, Gadelha, Lisboa, Manso, Marinho, Moreira, Pessoa, Pignataro, dentre outras. Odilon foi uma liderança da seção local do Partido Republicano na época que ficou conhecida como “República Velha”, em Nova Cruz, e sua residência foi o palco de eventos até com a presença de lideranças da política nacional.

No final da década de 1920, diante de uma cisão do seu partido político, Odilon aderiu ao grupo formado pelo seu irmão Dr. Luiz Amâncio Ramalho, Antônio Arruda Câmara (1882-1956) e Mário Manso (1880-1970), sob o comando do governador Juvenal Lamartine (1874-1956). Assim, Odilon “foi um dos vultos mais importantes da história de Nova Cruz do passado. Administrador competente, dinâmico, operou, pode-se dizer, uma verdadeira revolução na vida e nos costumes do lugar”, como lembrou o professor Antenor Laurentino Ramos (1941-2022).[5]

Além das atividades laborais, Odilon foi dirigente do Grêmio Literário José Augusto, em Nova Cruz, e também membro da Loja Maçônica 21 de Março, em Natal (RN). Odilon faleceu no dia 20 de outubro de 1983, em Natal, e foi sepultado no jazigo da família no cemitério de Nova Cruz; a sua história de vida precisa ser lembrada pelas gerações vindouras como um sinal de uma vida dedicada ao progresso de Nova Cruz.

 



[1] LIMA, Diógenes da Cunha Lima. Vidas bem vividas. Disponível em: http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/vidas-bem-vividas/502845. Acesso em 22.jan.2022.

[2] CABRAL, Teresinha de Arruda Câmara. Memórias de Nova Cruz. Natal: Cartgraf Gráfica e Editora, 2004.

[3] BARBOSA. Gustavo José. Odilon Amâncio Ramalho: um empreendedor em Nova Cruz. Revista do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica, João Pessoa, 2022, n° 24.

[4] OLIVEIRA, Flaminio de. Resgatando a memória: Odilon Amâncio Ramalho. O Urtigal, Nova Cruz, fevereiro/março/1993, p. 4.

[5] RAMOS, Antenor Laurentino. Memorial da Anta Esfolada: Nova Cruz no espaço e no tempo. Natal: Feedback, 2014, p. 51.


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